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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Separação sem traumatizar os filhos adolescentes

O tema pode parecer recorrente, mas o enfoque é novo : trauma nos filhos adolescentes. E afinal sempre podemos aproveitar conosco mesmo ou ajudar amigos nesta situação.

COMO SE SEPARAR SEM TRAUMATIZAR OS FILHOS ADOLESCENTES.

Houve uma época em que as separações eram menos comuns. O divórcio não era legalmente reconhecido e havia o mito de que os pais permanecerem juntos era sempre a melhor opção para os filhos. E, é claro, existia o estigma: filhos de pais separados eram vistos com preconceito e considerados problemáticos. Hoje, as pessoas se casam considerando que a união não será, necessariamente, para sempre, e a separação é uma possibilidade, caso a relação não dê certo.

Toda essa evolução comportamental ajudou a acabar com a discriminação, mas não foi suficiente para zerar um dos maiores efeitos do divórcio: a dor e o sofrimento de seus envolvidos, principalmente dos filhos. A situação se torna ainda mais complexa se eles estão na adolescência, fase de mudanças em que tudo –em especial uma frustração– parece mais intenso.

Segundo a psicóloga Marilia Castello Branco, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), as perdas –como uma separação, mudanças, doenças, mortes e conflitos– podem deixar marcas no ser humano, mas fazem parte da vida.  "Lidar com elas e com as marcas que inevitavelmente irão deixar é importante no processo de crescimento. Tentar manter os filhos protegidos desses acontecimentos pode causar ainda mais prejuízos, mantendo-os frágeis e incapazes de lidar com as dificuldades da vida", afirma.
Os adultos costumam temer a reação dos adolescentes, mas nem sempre se pode prevê-la. Ela vai depender da personalidade, do grau de amadurecimento, da relação com os pais, da situação atual em casa. "Já vi jovens ficarem bastante abalados e levarem um grande tempo até aceitarem a realidade da separação, mas também conheço outros que, diante dos inúmeros conflitos que estavam presenciando em casa, sugeriram ou até pediram aos pais que se separassem", conta Marilia Castello Branco.
Para a terapeuta cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira, os efeitos nocivos do divórcio sobre os filhos estão mais relacionados aos sentimentos negativos dos pais –culpa, raiva, estresse e inabilidade para enfrentar as crises– do que às questões de assimilação e aceitação, pelos filhos, das mudanças no formato da relação. "Em muitos casos, a separação pode beneficiar as relações. Na medida em que elaboram as perdas, as pessoas reconhecem os ganhos e passam a valorizar o tempo de convivência", afirma.

Sinceridade é fundamental
A hora de abrir o jogo para os filhos é sempre dolorosa. A psicoterapeuta Gisela Castanho diz que os pais devem dar, juntos,  a notícia. "Não é preciso entrar em detalhes sobre a vida do casal, afinal, isso só diz respeito aos pais. Mas é importante deixar claro que é o casal que está se desfazendo, não a família. Não existe ex-pai ou ex-mãe. O adolescente, mesmo que chocado ou revoltado, precisa sentir desde o início que não perderá o amor e o amparo dos pais", explica a especialista.
"É bom usar frases simples e verdadeiras, sem dramas, sentimentos de vitimização ou acusações contra a outra parte", diz Mara Lúcia Madureira.  Para que os filhos se sintam seguros, os pais precisam, de preferência, já ter decidido sobre com quem o adolescente vai morar, como será o esquema de visitas e toda a nova configuração familiar. "Saber como a vida vai funcionar dali em diante dá tranquilidade", conta Gisela. 
Durante a conversa, ambos devem se concentrar nos aspectos positivos da história que viveram –e mostrar que essa trajetória em comum valeu a pena, porque geraram um filho juntos, mas que agora não vale mais e que todos merecem ser felizes. Os pais não devem se encher de culpa pelo sofrimento causado aos filhos, já que, em longo prazo, o divórcio causa menos danos do que viver em um lar infeliz, permeado por brigas e ofensas. 
"Manter um casamento a todo custo, mesmo quando ele já não faz sentido, ‘em nome dos filhos’, pode ser muito prejudicial para um adolescente. Ele pode se sentir responsável ou culpado pelos problemas dos pais, além de estar exposto a um exemplo de relacionamento muito pouco saudável, baseado em mentiras", declara a psicóloga Marilia Castello Branco.

Em situações em que o adolescente fica tão magoado que se recusa a ver um dos pais (em geral, aquele que sai de casa) é essencial ter paciência com a mágoa, de acordo com Gisela Castanho. "Por mais que o filho diga palavras duras, os pais devem entender que o adolescente está vivenciando um tipo de luto. E continuar a batalhar por seu afeto, não desistir jamais de manter um bom relacionamento", explica a psicoterapeuta, que afirma que o primeiro ano é sempre o mais difícil.
A terapeuta Mara Lúcia Madureira explica que os pais devem deixar claro que respeitam os sentimentos e a dor que eles possam estar sentindo, mas que manifestações excessivas de raiva, além de serem irracionais, não dão a ninguém o direito de ser cruel consigo ou com os outros. As demonstrações de carinho e afeto são fundamentais para combater possíveis atitudes de revolta ou agressividade. Não são poucos os adolescentes que, para confrontar os pais, os desrespeitam se sentem no direito de fazer o que bem querem, já que os adultos tomaram a decisão que consideraram melhor para si.

"Pai e mãe devem ser firmes nesse momento e reafirmar, sempre que necessário, sua autoridade", diz Gisela. E não é só a rebeldia que precisa ser trabalhada: jovens introvertidos necessitam de ajuda dos pais para expressar suas emoções. "Pai e mãe devem avisar que estão disponíveis para conversar novamente sobre o assunto quantas vezes forem necessárias. E cumprir o que dizem, sem esperar que o adolescente tome a iniciativa", diz a psicóloga Marilia Castello Branco. Ela conta ainda que o maior medo dos filhos é do abandono. "É importante que eles tenham certeza de que as casas de ambos, pai e mãe, são deles também. E a possibilidade de alternar entre essas casas com liberdade e tranquilidade pode trazer mais segurança", afirma a especialista.


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