Fazenda onde nasceu o blogueiro. Foto Luis Fernando Gomes

Fazenda onde nasceu o blogueiro. Foto Luis Fernando Gomes
Fazenda onde nasceu o blogueiro. Foto Luis Fernando Gomes

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Boas Dicas.

Amo Minas Gerais. Não só porque nasci aqui e vivi por mais de 50 anos (os outros 13 foram em São José do Rio Preto), mas porque estas Minas são várias. Aos meus leitores, indico lugares para conhecer o nosso Estado.

Coisas legais para fazer em Minas Gerais.

 
1.  Assistir um espetáculo do Grupo Corpo no
Palácio das Artes

2.  Ficar horas admirando o forro da
Igreja S. Francisco de Assis em Ouro Preto

3.  Chegar ao topo do
Pico da Bandeira

4. Dormir no
Caraça e ver o lobo guará

5. Assistir um jogo do Cruzeiro
x Atlético no Mineirão

6. Comer pé de moleque em Piranguinho

7. Surpreender-se no
Inhotim

8. Tirar uma foto com a estátua do Juquinha na
Serra do Cipó

9. Experimentar as guloseimas da Festa Nacional do Pequi em
Montes Claros

10. Pescar um
surubim na Represa de Três Marias 

11. Comer pastel de angu em
Conceição do Mato Dentro ou Itabirito

12. Beber água na
Fonte dos Amores em Poços de Caldas

13. Participar da
Vesperata em Diamantina

14. Conseguir uma autorização do IBAMA para visitar o
Parque Nacional Cavernas do Peruaçu

15. Beber uma “Anísio Santiago” em
Salinas

17. Participar d
o Comida di Buteco em Belo Horizonte

18. Alugar um pé de jabuticaba em
Sabará

19. Fotografar os
profetas em pedra sabão no Santuário de Bom Jesus de Matozinhos na cidade de Congonhas

20. Fazer compras em Divinópolis

21. Emocionar-se na nascente do
rio São Francisco no Parque Nacional da Serra da Canastra

22. Comer queijo no
Serro

23. Visitar uma mina de água marinha em
Governador Valadares

24. Fazer um voo de parapente na Serra da Moeda,
Brumadinho

26. Navegar no vapor Benjamim Guimarães pelo
rio São Francisco

27. Comprar artesanato em
Bichinhos (Vitoriano Veloso), Prados

28. Fazer a pé pelo menos um trecho da
Estrada Real

29. Participar da Caminhada Roseana em
Cordisburgo

30. Seguir as placas Caminho do
Museu de Território Caminhos Drummondianos em Itabira

31. Passar um fi
m de semana romântico em Monte Verde

32. Tomar um banho de Cachoeira no
Parque Estadual do Ibitipoca

33. Experimentar o doce de leite da
Universidade Federal de Viçosa

34. Observar o Mono Carvoeiro (Muriqui) na
Reserva do Patrimônio Particular Natural Feliciano Miguel Abdala em Caratinga

35. Comer um fígado acebolado no
Mercado Central em Belo Horizonte

36. Fazer compras de lingerie em
Juruaia

37. Relaxar no
Parque das Águas de São Lourenço

38. Praticar turismo solidário em Capivari, Serro ou em Alecrim, São Gonçalo do Rio Preto

39. Caminhar com muita calma pelas ladeiras de Ouro Preto 

40. Brincar o carnaval em Diamantina

41. Passar uma manhã na
gruta de Maquiné

42. Rezar, cantar e dançar na Festa do Rosário em Dores do Indaiá 

43. Nadar na Represa de Furnas

44. Almoçar
frango com quiabo e angu à beira de um fogão à lenha

45.
Admirar as estrelas no Observatório Nacional de Astrofísica no Pico dos Dias, Brazópolis.

46. Ficar de queixo caído frente ao altar mor da
Igreja de Santo Antônio, Tiradentes

47. Divertir-se na viagem de
Maria Fumaça entre Tiradentes e São João del-Rei

48. Praticar rafting e outros esportes de aventura nas corredeiras do rio Gavião em
Bonito de Minas

49. Isolar-se do mundo no
Mosteiro de Macaúbas, Santa Luzia
 

50. Assistir a um concerto no Órgão Arp Schnitger na Catedral da Sé de Mariana

51. Acordar com um galo cantando em um
a fazenda

52. Participar da procissão Encontro do Senhor Passos em Ouro Preto


53. Visitar um alambique em
Itambé do Mato Dentro

54. Assistir
a uma peça do Grupo Galpão em uma praça

55. Rezar na
Igreja de São Francisco de Assis na Pampulha, Belo Horizonte

56. Adquirir calçados em Nova Serrana


57. Refletir sobre a vida no
Museu da Loucura, Barbacena

58. Sentir o frio gostoso de
Maria da Fé

59. Torcer por uma candidata no “Miss Gay” de
Juiz de Fora

60. Admirar um belo horizonte na praça do Papa em Belo Horizonte


61. Vivenciar o dia a dia de uma fazenda centenária.


62. Aplaudir o Grupo de Bonecos Giramundo


63. Aprender sobre a história de
Minas Gerais no Museu da Inconfidência em  
     
Ouro Preto

64. Comprar produtos de teares em
Resende Costa
 
65.  Contemplar a Gruta do Salitre, Diamantina
66. Envolver-se na festa do Rosário na comunidade dos Arturos em Contagem
 
67. Beber café em xícara esmaltada acompanhado de
quitandas

68. Sentar
-se à porta de uma venda e ver a vida passar

69. Experimentar os biscoitos de
São Tiago

70. Observar um leilão de gado na Expozebu de
Uberaba

71. Divertir-se em uma feira de agropecuária


72. Andar a cavalo apreciando as paisagens da Serra da Mantiqueira


73. Degustar a culinária típica da Festa Nacional do Milho em
Patos de Minas
 
74. Realizar uma visita interativa no Museu Artes e Ofícios em Belo Horizonte
 
75. Saborear o rocambole de Lagoa Dourada
 
76. Fazer uma excursão pelo Circuito das Águas 
 
77. Conhecer o monumento “Menino da Porteira” em Ouro Fino
 
78.  Caminhadas pelo Vale do Matutu em Aiuruoca
 
79. Viajar para a região do Rio Doce pela ferrovia Vitória Minas
 
80. Contagiar-se pela beleza dos shows pirotécnicos durante Festa do Foguete
      em Santo Antônio do Monte
 
81.  Participar de uma colheita de café no sul de Minas
 
82. Ter uma aula de esducação ambiental na Estação Ambiental de Peti da Cemig.

83. Passar um final de semana em Araxá
 
84. Cair na folia da micareta Sanatório Geral em Ubá

85 - Se deslumbrar com a paisagem da
Serra do Caraça









sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O Amor nos tempos de Hoje

Flávio Gikovae é um psiquiatra paulista que escreveu mais de 30 livros sobre o amor. Ele sempre reforça a idéia de que o amor romântico acabou. Não subsiste nestes tempos modernos. Nem o conceito da "outra metade". Somos únicos e inteiros. Ninguem vai nos completar. Ele acabou de lançar um lilvro novo, chamado "Sexo". Anos atrás ele esteve aqui, em Belo Horizonte,  no Palácio das Artes, que ficou lotado para ouví-lo. Ele está mais conhecido atualmente pois apareceu na novela das oito da Rede Globo como o psiquiatra do filho da Bete Gouveia. Em entrevistas recenes, ele explicitou seus conceitos. Vocês poderão lê-los agora. Bom proveito.

Como ter um relacionamento duradouro e feliz

O psiquiatra Flávio Gikovate dá uma entrevista e afirma: "O amor não é um parque de diversões"
Em seu livro Uma Nova Visão do Amor, o psiquiatra Flávio Gikovate diz que procurar no ser amado o seu complemento, a sua outra metade, é um perigo para a saúde do relacionamento. “Antigamente um dos pares precisava sempre fazer grandes concessões, porque os casais imaginavam que tinham de fazer tudo juntos”, diz Flávio. “As pessoas estão mais individualistas e aprenderam que a chave de um relacionamento sereno é o respeito pelas diferenças de gosto”.

Flávio é formado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) desde 1966 e autor de 25 livros que já venderam mais 600 mil exemplares nos últimos 30 anos. Escreveu durante anos para a Folha de São Paulo e para a Revista Claudia. Toda essa experiência você confere agora em uma entrevista com dicas preciosas para manter um bom relacionamento com o seu amado.

 - Baseada na sua experiência como profissional, quais conselhos você daria a quem está pensando em casar agora? O que é importante levar em conta, observar, refletir para ter um relacionamento duradouro e feliz?
Flávio Gikovate - O primeiro ingrediente para um relacionamento duradouro reside na escolha do parceiro: quanto maiores as afinidades de gostos e interesses, mas, principalmente, de caráter, melhor. Gente honesta deve se relacionar com gente honesta. Isso é essencial, pois, se a aliança se faz com alguém que mente ou que é mais para egoísta, por exemplo, os problemas ficarão agravados depois do casamento.

Outro fator é não ser ingênuo ou otimista: convém pensar que ao casar, todos os problemas e dificuldade pioram, sim! As pessoas se acomodam e mostram mais a sua face negativa. Assim, é preciso que tudo, inclusive o sexo, esteja 100% durante o namoro porque talvez venha a piorar um pouco. 

Um terceiro conselho: um relacionamento não permanece encaixado e funciona bem automaticamente. Ou seja, é preciso cuidado, atenção com o outro, esforço para que as afinidades e projetos de vida continuem convergentes. Isso não é fácil e exige muita atenção sobre os próprios anseios, os do parceiro e cuidado nas conversas e negociações. Aliás, elas devem existir o tempo todo porque os pontos de vista serão divergentes em muitos aspectos e os diálogos tem que ser respeitosos para serem produtivos.

- O amor de hoje é diferente do amor de antigamente? É importante manter a individualidade? Uma certa renúncia não é inerente ao relacionamento, ou seja, não temos sempre de abrir mão de coisas em prol da relação?
FG - Antigamente, as concessões eram grandes porque os casais imaginavam que tinham que fazer tudo juntos. Quase sempre havia um que concedia e o outro, o mais egoísta, que abusava da tolerância do mais generoso. Além disso, a idéia que estava em vigor era a de que ao homem cabia dirigir a vida a dois. Isso não é mais verdade: as moças representam 60% dos estudantes universitários, de modo que em breve estarão mais bem preparadas e ganhando mais que a média dos homens. A independência sexual e financeira da mulher, junto com os avanços tecnológicos de utilização individual (IPod, computador, DVD, etc) tem feito crescer a individualidade das pessoas, o que é uma ótima notícia. Assim, em vez de concessões, que por vezes tem que ocorrer, a chave de um relacionamento sereno é o respeito pelas diferenças, gostos e individualidades. Ou seja, quando se gosta da mesma coisa, se faz junto. Quando um gosta e o outro não, cada um faz o que gosta e se encontram depois. Ambos felizes. Quem faz as concessões acaba se aborrecendo internamente e não raramente arruma uma briga por algum motivo fútil.

- Como resolver interiormente a sensação de desemparo e de insegurança para deixar de depender do parceiro amoroso?
FG - Nenhum de nós consegue resolver completamente a sensação de desamparo que nos acompanha desde o nascimento. Por isso mesmo gostamos de ter um parceiro amoroso. Podemos lidar com essa sensação individualmente. Um dos recursos é, por exemplo, manter-se ocupado e entretetido tanto com o trabalho como com leituras, esportes, cinema, amigos, etc. O que tem que ser claro é que o parceiro sentimental não tem que ser o remédio definitivo, único e permanente para o nosso desamparo. O nosso desamparo é problema nosso! O parceiro, quando presente, nos ajuda muito, mas não é sua obrigação nos aliviar o tempo todo das sensações íntimas dolorosas.

- Com o passar dos anos, a maioria dos casais não sente mais aquela paixão avassaladora do início, aquele êxtase. Porque isso acontece? É possível reacender esta chama e manter um relacionamento longo e feliz?
FG - É possível, sim, que o amor permaneça igualmente intenso e gratificante por toda a vida. É claro que terá altos e baixos, dependendo do comportamento do parceiro e do nosso estado de alma. O que desaparece é o componente do medo que está associado à paixão: paixão = amor + medo. O medo é relacionado com o risco de ruptura, além do medo da felicidade, condição com a qual acabamos por nos acostumar. Com o casamento, os temores de ruptura diminuem muito e o medo se atenua. Aí, o essencial é não se acomodar e tratar de conservar a riqueza de conversas.
A intimidade depende também de um fator essencial: não julgar o parceiro o tempo todo. Existem muitas pessoas que não sabem ouvir a não ser com a idéia de encontrar e apontar os defeitos do outro. Isso é horrível, pois acaba levando o outro a se calar, a omitir tudo aquilo que poderá ser passível de crítica. Com isso, a intimidade se prejudica e, ao longo do anos, pode vir a se romper de modo radical.

- É possível, depois de 30, 40 anos de casamento, ser uma pessoa que ainda provoque interesse no outro? Como não deixar que a rotina mate o relacionamento? Pessoas muito diferentes conseguem manter um relacionamento longo ou é preciso haver compatibilidades?
FG - Já afirmei que a harmonia conjugal depende essencialmente das afinidades, principalmente as de caráter. É impossível confiar em um parceiro que mente, que é insincero. Com o tempo isso destrói o eventual encantamento e o amor desaparece.

A rotina não perturba o cotidiano a não ser quando ela é muito chata! Rotinas agradáveis, compartilhadas com alegria, são uma dádiva. Não é a rotina que destrói o relacionamento, mas a falta de criatividade de modo que só sobra o cotidiano que é forçosamente repetitivo.

Para que as pessoas continuem a ser interessantes para seus parceiros é preciso que elas se reciclem, renovem seu repertório, tenham interesses e se dediquem a eles. O casamento não é chato, chatas são as pessoas que não progridem, que não leem, não assistem a filmes, não acompanham as notícias, não tem nada de novo para dar. Chatas são as pessoas que acham que seus parceiros estão no mundo para entretê-las e não percebem que elas mesmas devem encontrar os meios de fazer a vida agradável.

As pessoas esperam do parceiro o que deveriam buscar em si mesmas. Amor é o sentimento que temos por quem nos provoca a adorável sensação de paz e aconchego que neutraliza momentaneamente nosso desamparo. Amor não é entretenimento, não é parque de diversões. Aventuras devem acontecer juntos ou separados, em atividades profissionais, intelectuais, projetos de viagem, etc.







terça-feira, 12 de outubro de 2010

Conversa de Santos. Conto? Crônica ou Caso?


       Deixo por conta do leitor a classificação desta bem humorada história.


Conversa de Santos



     Depois que os fiéis foram embora, o vigário, após certificar-se de que não havia nenhum cachorro escondido, mendigo também, ou um bêbado de boca aberta dormindo, fechou a porta principal do templo, que ficou em completa escuridão e em silêncio celestial. É nesta hora, no meio da noite, que os santos aproveitam a ocasião para bater um papinho descontraído e trocar impressões sobre os freqüentadores da igreja.
- Vocês viram – perguntava Santo Antônio, equilibrando o menino em um dos braços, enquanto o outro gesticulava - aquela mocinha com aquele vestido azul tão curtinho?
Não esperando a resposta, pois sabia que eles tinham visto (santo vê tudo), continuou:
-Está a fim de casar e está de olho naquele rapaz do PT. Tenho de dar um jeito nisto. O que não estou gostando é da pouca roupa que ela usa...
-Que é isso, Antônio? -inquiriu São Sebastião um tanto ofendido, enquanto despregava um dos braços e tirava a flecha do outro (os santos se tratam com intimidade; nenhum usa o “São” antes do nome, daí o Antônio sem o Santo)- e eu, olha como estou vestido. Sumariamente.
-Você é diferente- retrucou Santo Antônio (de Pádua ou de Lisboa? Esta dupla nacionalidade estava lhe trazendo dificuldade de identificação. Acabaria esquizofrênico. Além do mais não estava gostando de ficar carregando aquele menino nos braços  nesta época de acusações de pedofilia).
-Deixem disso, filhos – falou a Virgem, com ar maternal e bondoso. – Não vão discutir por detalhes insignificantes.
-É isto mesmo- falou São Pedro, meio bravo. – Não podemos julgar estas meninas e estes rapazes. Temos de condenar os que influenciam a juventude.
- Quem?- perguntaram os outros santos, curiosos. Santos adoram uma fofoca.
-Não me comprometa, gente - continuava Pedro, alisando a barba branca (tinha muita vontade de raspá-la) - , mas já que vocês insistem (ninguém tinha insistido, porém todos já sabiam que o Pescador era assim mesmo: gostava de uma prosa). Tem, por exemplo o Freud, este desmoralizador do lar, um sem- vergonha que andou falando muita bobagem; a Mary Quant, que inventou a mini saia; o Darwin, aquele danado, que falou que o homem veio do macaco; o Hafner, o fundador da revista Playboy; o Prestes; o...
- Pedro, Pedro, você está exagerando- ecoou uma voz profunda, grave e, ao mesmo tempo linda e maravilhosa. Era Ele.
-Desculpe-me, Senhor. É o entusiasmo – falou Pedro e se calou.
-Mas-  falou São Cristóvão, carregando um menino nas costas e que já estava cansado daquele peso e muito preocupado, junto com Santo Antônio, com estas acusações de pedofilia. Daqui a pouco iam falar mal dele - o engraçado do dia foi aquele sujeito que veio aqui para ler jornal. Acho que o barulho lá fora está demais. Parece que silêncio só mesmo na casa de Deus.
- Ou nas boates depois que todo mundo vai embora- completou ácido São Paulo, que ostentava uns dizeres debaixo de sua imagem: “Antes casar-se que abrasar-se”.
- O pior foi o tipo de jornal que o sujeito veio ler aqui- completou Santa Luzia, que, por ser protetora da visão, enxergava maravilhosamente.
-Qual era? – perguntaram novamente todos.
 Antes que Santa Luzia falasse alguma coisa, ouviu-se um estrondoso barulho. A porta foi posta abaixo. Dezenas de pessoas entraram correndo na igreja, pularam os bancos, derrubaram alguns, esconderam-se atrás dos altares e ficaram espiando. Fora, o barulho, os gritos, a confusão geral e um ou outro palavrão.
Os santos se entreolharam sem saber o que estava acontecendo. Procissão não era, porque nem tinha andor. Pagar promessa também não deveria ser, porque, por mais esdrúxula que fosse (e eles já tinham visto de tudo) nunca ninguém tinha se deparado com tal fato. Nem os santos mais antigos, como São Pedro e São Paulo, São Cosme e São Damião, e outros do segundo escalão. Talvez pecadores arrependidos de seus crimes e que ali vieram pedir perdão a Deus. Mas entrar daquele jeito na Igreja?  Não, ninguém sabia o que era aquilo.
De repente, outra confusão, gente correndo para lá e para cá. Uns fugindo, outros chorando. Pouco a pouco, foi tudo voltando à paz e à serenidade própria do local. A igreja ficou vazia. E ninguém ficou sabendo de nada pelo resto daquela noite. Os santos só descobriram o motivo da balbúrdia quando de manhãzinha um vendedor de jornais gritava a plenos pulmões, à porta da Igreja.
- Extra! Extra!Extra! Igreja invadida. Professores municipais e estaduais em greve, impedidos de fazer assembléia,  entram na Igreja para fugir da polícia.





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Oi, você! - Poema para o primeiro mês do Blog

Hoje, o blog está fazendo 1 mês. Não é ele que receberá os parabéns. Mas os leitores que se fizeram presentes. Foram 181 acessos em um mês. Do Brasil, evidentemente, e de algumas surpresas: Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Bélgica. Fico muito contente. Envio-lhes uma mensagem especial, reafirmando a minha grande alegria ao escrever aqui e postar comentários.

Oi, você.
Que trabalhou,
Batalhou,
Labutou e
Que está cansado.
Você que
Descansou,
Leu,
escreveu,
chorou,
riu,
se divertiu.

Se tudo o que queria
Agora
Era um cafezinho
Quentinho
Ou uma carícia
Um bilhetinho
De quem você gosta

Se seus olhos estão secos,
Mas queria chorar.
Se queria um abraço,
Macio ou forte
(não importa)

Se doem seus pés
Pela longa jornada
Se você deseja
Um sofá ou divã (de analista)

Oi, você.
Tomemos posse, você e eu,
de nossa vida
(a única coisa que nos pertence de verdade))
com mais ânimo
e disposição.

Somos todos especiais.
Temos talentos
Sensibilidade
Sabemos sorrir
(ainda que nem sempre o façamos)
Temos dons
Driblamos os obstáculos
(às vezes, eles nos driblam,
Fazer o quê?)
Merecemos carinho
Atenção
Cuidados.

Oi, você,
Que a cada dia
Que desperta
É motivo de festa
De comemoração.
Ainda que doa o coração
de vez em quando.

Hoje, trago-lhe
O meu afeto,
Meu carinho.
Saiba como
Fico feliz
Se você lê o que escrevi,
Se passa seus olhos
Pelos meus escritos,
Neste nosso encontro virtual.
Oi, você.






segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Zenóbia, a Benzedeira

Quem viveu nos anos cinquenta conhece bem as famosas Seleções de Readers´ Digest. Uma revista em forma de livro, de origem americana, e que continha informações, reportagens, resumo de livros e muitos textos curiosos. Quando torci o pé no Seminário Menor de Juiz de Fora em 1959, fiquei de molho na enfermaria por uns 4 dias. Para passar o tempo, mergulhei na leitura de Seleções antigas e me deparei com a seção: "Meu Tipo Inesquecível". Décadas e décadas depois, o Professor Rosalvo, no curso de português, pediu para que escrevêssemos sobre nosso tipo inesquecível. E me lembrei de Zenóbia. Eis a historinha.



MEU TIPO INESQUECÍVEL


Mário Cleber da Silva.


                 Sua fama corria solta, de boca em boca, e já atravessara as estreitas fronteiras do Turvo do Rio Grande e atingira as bucólicas cidades da vizinhança, como Bom Jardim, Aiuruoca, Liberdade e Carrancas. Quem não ouvira falar de suas curas quase miraculosas, da noite para o dia, ou do dia para a noite, ou até não  utilizara seus préstimos? Não só a fama, mas o temor, terror. Quem não teria medo daquele profissional?... Profissional? Não seria melhor chamar essa criatura de ..., de...,ah, como ainda temo em dar-lhe o nome corrente no início da década de 50, do século passado, quando eu, de calças curtas e óculos grossos, fazia minhas  travessuras de meninice.
             E foi por causa de uma dessas travessuras que eu ira enfrentar suas habilidades. Digo “enfrentar”, porque se exigia coragem para submeter a seus tratamentos. Eu caíra desajeitadamente sobre a perna e não teve outro diagnóstico. Quebrou. E como doía. Eu chorava. E foi quando ouvi minha mãe falar o nome daquela criatura. “Ah, não, por favor, não”, apelava eu com lágrimas e pavor nos olhos. Mas quem, senão aquele ser estranho, competente no que fazia, mas cujas técnicas e métodos eram assustadores?
               Médicos, não havia. E mesmo sem telefone, a notícia se espalhara e num piscar de olhos, mesmo de olhos infantis marejados, eis que assome à porta a figura tão temida, já pronta para o trabalho. Silêncio total, sepulcral?, só quebrado pelos soluços que eu emitia cada vez mais intensos e a intervalos cada vez menores. E aqueles olhos negros me olharam. Quase me paralisaram. Mas, curiosamente, notei uma ternura, uma meiguice, desconhecida para todos e principalmente para mim que nunca os encarara. Aproximou-se vagarosa e decididamente de meu corpo e massageando levemente minha perna dolorida começou a cantar, numa voz, incrivelmente terna, “nesta rua, nesta rua, mora um anjo, que roubou, que roubou meu coração”. Será que ia roubar meu coração? Era essa o preço do tratamento? Oh, deus, prometo rezar dez ave-marias e cinco pais-nossos (pai nosso é menos porque demora mais) se...
             Não deu tempo. Massageando com suas mãos delicadas, tirou uma desconhecida cruz de suas roupas e, levantando a voz aproximou-a de meu rosto, começou a pronunciar essas palavras que foram as últimas que ouvi antes de desmaiar, de medo, de dor e talvez pelas massagens daquelas mãos divinas, mágicas ou seria de uma feiticeira?
“Sai, capeta, sai, deste corpo pequenino, deste pobre menino”...
                Era Zenóbia, a benzedeira de nossa cidade, curandeira, bruxa, feiticeira, ou médica sem curso superior, especialista em pernas quebradas, sobretudo de crianças levadas e que ficavam conhecendo o lado humano, sensível e amoroso de uma mulher linda, de cabelos e olhos negros, como a asa da graúna.

Comunicação.

Alguns leitores me perguntaram como postar um comentário em meu blog. Pesquisei e cheguei à seguinte conclusão.


COMO POSTAR UM COMENTÁRIO NO BLOG.


- clique em comentários.
- surgindo um retângulo, escreva dentro dele seus comentários
- clique em postar um comentário.
- vão pedir par que você crie um endereço Google
- Faça-o. Não vai custar nada.  É rápido.A partir daí, você poderá se comunicar mais diretamente comigo.

Tornar o blog bem iterativo, eis um bom motivo para postar os comentários.

sábado, 2 de outubro de 2010

Pequenas Histórias




Todo psicólogo que trabalha em treinamento nas Empresas sabe como são importantes pequenas historinhas para levar o grupo a discussões e mudanças comportamentais. São inúmeras, mas escolhi algumas para mostrar para vocês.

A primeira.

Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo.
Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio. (Oh, que original!)
O gênio diz: - Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a
cada um de vocês!
- Eu primeiro, eu primeiro. ' - grita um dos funcionários - Eu quero estar
nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida '
... Pufff... e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido: - Eu quero estar no
Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de pinas coladas!
Puff, e ele se foi.
- Agora você - diz o gênio para o gerente.
- Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço para
uma reunião!

Conclusão:
*
Deixe sempre o seu chefe falar primeiro*. O respeito à hierarquia é muito importante. Controlar a própria impulsividade, eis a chave do sucesso. Ou para um bom relacionamento com o chefe.

Segunda

Na África, todas as manhãs, o veado acorda sabendo que deverá conseguir
correr mais rápido do que o leão se quiser se manter vivo. Todas as manhãs, o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veado se não quiser morrer de fome.


Conclusão:
*
Não faz diferença se você é veado ou leão, quando o Sol nascer, você tem que começar a correr.* Todos temos que lutar para sobreviver.

Terceira

Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada.

Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta: - Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro?
O corvo responde: - Claro, porque não?
O coelho senta-se no chão embaixo da árvore e relaxa.
De repente, uma raposa aparece e come o coelho.

Conclusão:
*
Para ficar sentado sem fazer nada, você deve estar no topo.